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Notícias
Colóquio Internacional sobre Jorge Ferreira de Vasconcelos
Publicada em 31-05-2015
Júlio Martín da Fonseca e Silvina Pereira, docentes na licenciatura de Artes Performativas da ESTAL, participaram, na passada sextafeira, dia 29 de Maio, no Colóquio Internacional “Jorge Ferreira de Vasconcelos – Um homem do Renascimento”, no ano em que se assinala o V centenário do autor.

Júlio Martín da Fonseca e Silvina Pereira, docentes na licenciatura de Artes Performativas da ESTAL, participaram, na passada sextafeira, dia 29 de Maio, no Colóquio Internacional “Jorge Ferreira de Vasconcelos – Um homem do Renascimento”, no ano em que se assinala o V centenário do autor.

Coordenador da Licenciatura de Artes Performativas da ESTAL e responsável por diversas unidades curriculares do curso, Júlio Martín da Fonseca é mestre em Arte e Educação e doutorando em Artes Performativas. No âmbito deste colóquio apresentou a comunicação “Jorge Ferreira de Vasconcelos: Um teatro pró-dramático”.

No mesmo dia, Silvina Pereira, docente da unidade curricular de Teorias da Arte Teatral, apresentou a comunicação “Encenar Jorge Ferreira de Vasconcelos, hoje”.

Resumos das comunicações:

Silvina Pereira – Encenar Jorge Ferreira de Vasconcelos, hoje

O texto dramático é naturalmente destinado à representação, sendo por isso inseparável da prática teatral que cada época reinventa e da leitura pessoal e criativa do encenador (a) que o leva à cena. Deste modo, a visão cénica é sempre impregnada de elementos subjectivos (gosto, formação e experiência artística) que, neste caso concreto, conduziram também, e desde logo, a determinadas opções dramatúrgicas. Estudar e encenar as comédias de Jorge Ferreira de Vasconcelos, dando palco, corpo e voz às personagens do seu teatro, revelou ser uma ampla experiência cultural
interdisciplinar, de intensa e rigorosa fruição técnica, estética e ética. Nesta comunicação falarse-á essencialmente do trabalho de dramaturgia realizado, da encenação da Comedia Eufrosina (1995), da Comedia Ulysippo (1997), das leituras cénicas da Comedia Aulegrafia (2008 e 2009) e das versões juvenis da Eufrosina (2011 e 2014), lembrando o desafio que constitui encenar o seu teatro.

Júlio Martín da Fonseca – Jorge Ferreira de Vasconcelos: Um teatro pródramático

Em tempo de teatro pós-dramático, de “morte” da personagem, do surgimento da impersonagem (estado de intermitência entre uma personagem representada e o próprio que se apresenta tal como é), do espectador emancipado e de outras problematizações contemporâneas que operam no território performativo, o teatro de Jorge Ferreira de Vasconcelos cativa-nos serenamente a um regresso às fontes teatrais. E nessa viagem, redescobre-se a estrutura dramática como criadora de sentidos existenciais e cognitivos, deparando-nos com uma escrita performativa que acumula uma tensão que só pode explodir através da oralidade multissensorial das personagens, onde ninguém se esconde, mas pelo contrário, se revela assombrosamente. O Teatro pró-dramático de Jorge Ferreira de Vasconcelos, devolve-nos uma singular mundividência que ficou à espera do seu futuro. Um momento seminal do teatro e da cultura portuguesa, que celebra a vida e a arte como uma forma de conhecimento.