top map
Espectáculos
O Paraíso Não Está à Vista 1984
De Rainer W. Fassbinder

Ficha artística

  • Texto: R. W. Fassbinder
  • Tradução: Anabela Mendes
  • Direcção: Rogério de Carvalho
  • Cenografia: José Manuel Castanheira
  • Figurinos: Joana Almeida Rosa
  • Desenho de Luz: Rogério de Carvalho
  • Fotografia: Luís Carvalho
  • Cartaz: Margarida Dias Coelho
  • Intérpretes: José Lopes, Silvina Pereira, Helena Lucas, Ávila Costa, Carlos Paula Vasconcelos

Cartaz

Imprensa

   

As palavras dos outros

"Uma flor no pântano. Este "Preparadise sorry now" de Fassbinder é uma peça antiteatral, inteligentemente encenada e representada pelo Maizum"

António Augusto Barros, Expresso

"O Paraíso (teatral) existe: encontrei-o no Bairro Alto. Este espectáculo ficará certamente como um dos grandes espectáculos dos anos 80 em Portugal"

Carlos Porto, Diário de Lisboa

Textos

(...) Neste espectáculo estão presentes relações de violência e de poder.

Que formas de violência? Formas de violência mascarada? Como distinguir violência e não violência? Não se pode falar da força no singular, pois, toda a força supõe outras forças que lhe resistem, a combatem ou a anulam. Obrigar alguém não é violentá-lo? Exemplo: os efeitos do castigo sobre a aprendizagem (relação professor/aluno). O facto de infligir uma penalização não vem das pulsões destruidoras dos participantes mas da sua integração numa estrutura social de que eles são incapazes de se libertarem. O soldado mata porque lhe foi dito para matar e considera seu dever obedecer às ordens.

(...) De duas partes se compõe o espectáculo. Na 2ª o texto dos “sketches” são repetidos. Conhecemos o texto e as situações são diferentes. Ou melhor, as situações são as mesmas e as imagens diferentes. O que talvez se possa dizer “ a repetição – as coisas repetidas significam”. Há um tratamento de imagem diferente do tratamento da imagem do cinema, bastando que na imagem teatral as coisas e os actores estão lá, no cinema já estiveram. E o peso da imagem numa sala como a da Casa da Madeira. É à volta de algumas delas que se organizam (manipulam) os diversos comportamentos das personagens, originando assim as tenções necessárias de forma que cada situação trabalhada obtém o ritmo adequado. Repare-se no olhar como expressão, discurso do corpo: a violência seria a solidão de um olhar mudo (o aluno no sketch da professora), dum rosto sem palavra (o sketch do teste do frio).

Rogério de Carvalho